Mesa III – O Fazer

No penúltimo dia do 10º Seminário Patrimônio Cultural, que acontece até o dia 28 de abril, na Casa Bernardo Guimarães da Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP, a mesa III – O Fazer, contou com a presença do restaurador da FAOP, Sílvio Vianna, da conservadora da Câmara dos Deputados de Brasília, Gilseane Chaves, e das conservadoras e restauradoras Luciana Lopes e Poliana Reis.

A mesa, que contou com a mediação da coordenadora Mariah Boelsums, falaram sobre trabalhos práticos realizados na Igreja Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto | MG, em diversos pontos da cidade histórica de Petrópolis | RJ e no Congresso em Brasília | DF.palestrantes

Após as apresentações dos palestrantes, a mediadora destacou o fato do “fazer ser indissociável da teoria e do saber”. Destacando a importância de teoria e prática caminharem lado a lado.

O professor Silvio abriu sua apresentação passando um filme demonstrando o processo de diagnóstico, tratamento e finalização da restauração das obras de São Eduardo, rei inglês, e São Luís, rei francês, expostas na sacristia da Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Destacou-se também o fato de ter se montado um ateliê no consistório da igreja, evitando possíveis danos decorrentes do transporte dos quadros. As obras contavam com rasgos, oxidações, intervenções anteriores e outros problemas que foram tratados com o uso de papel Kraft, retirada do verniz antigo, tratamento do suporte e diversas intervenções.

Em seguida, Poliana Reis e Luciana Lopes iniciaram sua fala destacando a construção e a importância de Petrópolis. Construída por uma colônia germânica, em 1843, sob autorização de Dom Pedro II, a cidade foi tombada em 1964 preservando-a de uma especulação imobiliária que começava a agir nos prédios mais antigos.

A Casa do Colono Alemão é um marco dos primeiros moradores, responsáveis pela fundação do município, que posteriormente também sofreu influência arquitetônica do romantismo clássico francês, neo-barroco italiano, gótico e outros estilos, como a Casa Cláudio de Souza, no início do século XX, com influência do art-deco. A história alemã seguiu sendo destacada pelas palestrantes, ao destacarem a vinda de diversos artistas germânicos à cidade, entre o século XIX e final do XX.

O restauro da Casa Diniz Street, de 1890, foi o restauro com maior destaque durante a apresentação das conservadoras. O local passou por diversas alterações, chegando inclusive a servir de escola, durante os anos e, após tanto tempo, o atual proprietário resolveu resgatar a origem da casa. O trabalho da Poliana Reis e Luciana Lopes passou pela retirada de camadas de pinturas mais recentes, buscando a tintura original, que, segundo as restauradoras, foi feito de uma forma sutil, buscando causar o menor dano possível na arte da parede.

Outra ação que também foi destacada foi o restauro do forro que contava com uma pintura degradada por anos de falta de manutenção.

Por fim, A coordenadora de Perservação de Bens Culturais, Gilseane Chaves, falou sobre a limpeza da tela de Di Cavalcanti presente na Câmara dos Deputados, na capital federal, que havia sido manchada, em um protesto indígena, em 2013, com urucum, fruto comumente usado como tintura vermelha.

Segundo a palestrante, após procurar na literatura alguma orientação de como retirar mancha, que media 20x40cm, de urucum e não encontrar nenhuma solução, resolveu fazer diversos testes em amostras de teste. A maioria dos líquidos comumente usados espalhava a mancha. Contudo o uso de gel de goma xantana e álcool benzílico agiam em um ou dois minutos e facilitava a retirada do material, além de preservar o verniz.

A mesa III – O Fazer foi a última mesa do 10º Seminário Patrimônio Cultural, patrocinada pela Gerdau.

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