Chega ao fim o 10º Seminário Patrimônio Cultural

O 10º Seminário Patrimônio Cultural | Conservação e Restauração no Século XXI, que ocorreu em Ouro Preto, na Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP, contou com o patrocínio da Gerdau. O evento, que durou de 24 a 28 de abril contou com palestrantes de todo o país, minicursos e mesas que debateram sobre a preservação de bens culturais, conceitos e práticas do processo, além de tratar da profissionalização da área que discutiu a Formação e Prática Profisional, que foi o tema deste ano.

Abertura

luiza

A memória foi o tema trazido pela professora da disciplina de História do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas | UFPel, Maria de Fátima Bento Ribeiro, que discutiu a relação entre passado e presente, por meio da alteração da paisagem após a construção da Usina de Itaipu Binacional, responsável pela mudança de agricultores, moradores e índios Avá-guarani, além de submergir parte da fauna e flora locais.

Maria de Fátima destacou que as construções de obras desta magnitude não impactam apenas na paisagem, mas afetam também as memórias de pessoas que foram ligadas direta ou indiretamente àquele lugar.

Minicursos

alexandre mascarenha

O evento contou com minicursos de Marmorino e Estuque em Relevo, ministrado pelo professor do IFMG de Ouro Preto, Alexandre Mascarenhas; Oficina Introdutória de Afresco, pelo professor da Escola Oficina de Manguinhos, do Rio de Janeiro, Fábio Cerdeira; Conservação, Restauro e Produção de Ladrilhos e Mosaicos, com o professor do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada | CECI, Jorge Tinoco; e Técnica Básica de Confecção de Olhos de Vidro Artesanal para Imagens de Devoção Doméstico, pelo professor e Raphael Dutra.

As atividades se iniciaram no dia 25 de abril e seguiram até o dia 27, com aulas expositivas e práticas. Inicialmente, os professores falaram sobre a história das técnicas, materiais envolvidos no processo e posteriormente, com o auxílio dos alunos, foram preparados os utensílios usados no decorrer dos cursos.

Nas aulas práticas, os estudantes confeccionaram olhos de vidros, aprenderam a incrustar os olhos nas esculturas; desenvolveram desenhos que foram transferidos, em relevo, para uma superfície de argamassa no tijolo; aplicação de cores em azulejos com base de gesso; e confeccionaram ladrilhos hidráulicos.

Mesas

As mesas foram divididas em três momentos, abordando os temas O Pensar, que tratou da forma de pensar os a conservação e restauro; O Ensinar, que falou sobre o ensino atual da área no país e; O Fazer, que apresentou diversos processos de restauração. Os assuntos foram alvo de debates dos alunos e palestrantes.

Foto Nathalia Costa (2)

A primeira mesa, O Pensar, ficou sobre a responsabilidade da arquiteta da Prefeitura de Santana do Parnaíba, Cecília Valente, e do conservador de bens tumulares, Fábio Donadio, mediado pela Cristina Cairo. Eles falaram sobre processos de manutenção e de conservação.  Para isso, apresentaram a conservação de bens imóveis do interior paulista, ressaltando também a preservação do patrimônio imaterial da cultura popular, como o samba de cururuquar. Sempre apresentando a importância de se buscar um resultado satisfatório, mesmo que seja subjetivo, na forma de conservar e manter as peças que foram trabalhadas.

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O Ensinar, no segundo dia, contou com a mediação do professor do Curso de Graduação em Conservação e Restauro da Universidade Federal de Minas Gerais | UFMG, Willi de Barros, os palestrantes Jorge Tinoco | CECI, Thiago Sevilhano | UFPel , Rodrigo Baeta | CECRE e Paola Villas Bôas | IFMG – campus Ouro Preto expuseram sua experiência e características dos cursos nas respectivas instituições em que trabalham.

Os palestrantes evidenciaram sua preocupação no reconhecimento da profissionalização da área e a construção do pensamento teórico desenvolvido com os alunos. Reforçando a formação sólida que os estudantes devem ter. Sevilhano falou sobre como a UFPel permite que os estudantes tenham acesso à diversas linhas teóricas e técnicas, além de incentivar a sequência do aprendizado dentro da própria instituição.

Já Rodrigo Baeta apresentou o Mestrado Profissional em Conservação e Restauro, destacando que o programa ocorre de forma gratuita e bianual. A professora do IFMG Ouro Preto, Paola Villas Bôas, falou sobre o prazer em transmitir o conhecimento adquirido durante o tempo  como professora.

silvio

Os palestrantes Sílvio Vianna, restaurador da FAOP; a conservadora da Câmara dos Deputados de Brasília, Gilseane Chaves; e as conservadoras e restauradoras Luciana Lopes e Poliana Reis, finalizaram com a mesa O Fazer falando sobre atuações importantes que tiveram ao longo dos anos.

O professor Sílvio Viana falou sobre a recuperação das duas telas, que retratam São Luiz, Rei francês, e São Eduardo, Rei inglês, do consistório pertencente à Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto.

Já Luciana Lopes e Poliana Reis apresentaram restauros importantes na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, falando sobre a Casa do Colono Alemão, um marco dos primeiros moradores da cidade carioca, Casa Cláudio de Souza, com arquitetura do início do século XX e sobre o restauro da Casa Diniz Street, de 1980, que passou por remoção das camadas de pinturas mais recentes, recuperando a pintura original.

Por fim, Gilseane Chaves falou sobre uma mancha de urucum, fruto de onde se extrai uma pigmentação vermelha, ocorrida durante um protesto, na tela de Di Cavalcanti em exposição na Câmara dos Deputados. Chaves destacou a ausência de uma resolução na literatura, mas um teste com o uso de gel de goma xantana e álcool benzílico agiam em um ou dois minutos e facilitava a retirada do material, além de preservar o verniz.

Palestra | Efeitos de Microambientes na Degradação de Materiais Pictóricos

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O professor Thiago Sevilhano falou sobre como a degradação presente em bens culturais móveis e imóveis resulta na perda de informações de obras, decorrentes de ações químicas, físicas ou até mesmo biológicas, como roedores, pássaros, morcegos, insetos, fungos e outros.

Sevilhano analisou o caso do Museu do Oratório, em Ouro Preto, que enfrentou o processo de degradação de algumas peças que estavam em exposição. Após recorrer a literatura especializada e a análises mais detalhadas, o palestrante concluiu que o causador da degradação das peças era o formaldeído liberado pela tinta seca.

Palestra | Restauro do Cristo Redentor

foto Marcelo

A importância do uso de tecnologias para buscar melhores formas de preservação e restauro de bens históricos foi o tema da palestra da tecnologia plena do Centro de Tecnologia em Minerais | CETEM, Núria Fernandez, que destacou o trabalho realizado no Cristo Redentor, em 2016, no Rio de Janeiro, que apresentava sérios problemas de desgaste, que iam de infiltrações a corrosões excessivas em alguns pontos. Além disso, a maresia contribuiu para a formação de crostas de sal na superfície do monumento.

Encerramento

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Após a conferência realizada por Marcos Tognon, que falou sobre a preservação da técnica de construção de taipas vernaculares, apresentando os casos de reconstrução da Matriz de São Luiz de Toloza, em São Luís do Paraitinga e da fazenda Atalaia, no interior de São Paulo, a presidente da Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP, Júlia Mitraud, agradeceu aos participantes e aproveitou para informar sobre o projeto Frentes Abertas, que irá contribuir na aquisição de novos equipamentos para a Fundação e a criação da Escola de Ofícios, em Mariana | MG e que contou com o patrocínio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais | Codemig.

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